quinta-feira, 29 de julho de 2010

insônia

toc toc... tá aí?
sônia... você de novo, poxa, é a terceira vez que você me visita essa sema...
ahh, tá aí sim! tô entrando!

click

já entrou né, intrometida pacas...
nossa, que olheira enorme menina! peraí que trouxe um creminho aqui na minha bolsa que vai te ajudar horrores... aqui, oh!
não quero essa joça, o que me ajudaria horrores agora seria se você estivesse do outro lado dessa porta. que tal? boa idéia não é?
ih... tá estressadinha hoje... tudo bem, sou paciente né querida, você sabe...
sei mesmo, ô se sei... sei até demais se você quer saber!
olha, vou direto ao assunto então, prometo.
promete mesmo?
prometo, meu bem! não sou tão má assim, vai! aquele seu livro que você acabou de lançar, que tá estourando, quem ajudou, quem? euzinha!
tá... diz logo, vai!
não quer um cafézinho antes?
NÃO!
tá bom, tá bom, desculpe. toma, te trouxe esse rascunho. tem algumas idéias soltas, uns personagens criados, linhas de pensamento e até algumas frases prontinhas!
hm... é... interessante até... valeu aí...
não há de que! bom, mas promessa é dívida, e acho que já chegou a minha hora, até eu estou cansada hoje, eu já vou indo. durma bem meu anjo! e pode deixar que eu apago a luz.

click

sábado, 24 de julho de 2010

e era uma vez...

tolos são aqueles que não acreditam em contos de fada. se acreditam no monstro da inflação, no super vilão americano, e se dizem que, de modo incrível, engolem sapos diariamente, por que não acreditar, em contraponto, em príncipes encantados e varinhas de condão?
assim como monstros não são necessariamente verdes e gosmentos, nem todo príncipe vem montado em seu cavalo branco. sapos não moram exclusivamente na lagoa. mágica não é apenas a transformação de uma abóbora em uma carruagem.
acreditar no que à primeira vista parece impossível não é negar a realidade, é olhar e ver o que existe além do que aparentemente está ali para ser visto. é ultrapassar sutilmente as fronteiras da razão, onde há apenas uma linha tênue nos separando de nossas fadas madrinhas. momentos podem ser mágicos. moças podem conhecer caras cheios de encantos. a história de nossas vidas somos nós mesmos que escrevemos, figuras de linguagem não são somente permitidas: são necessárias.
só aconselho não terminar sua história antes do final com um "felizes para sempre", pois convenhamos: ele é deveras chato. toda história que se preze precisa de uma bruxa má de vez em quando.


texto antigo, acho que é de 2008, só porque não estou muito inspirada hoje (entenda por preguiça). e acho que eu gosto da palavra tênue haha, usei no texto anterior também, que esqueci de mencionar mas também escrevi faz tempo.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

rainha de copas

coroei a incerteza aflita
como rainha da minha dor,
que reina acelerada e ambígua
preparando o ataque
no território inimigo que eu mesma sou

corre e corrói a resposta dos sentidos,
pulsa e destrói os atalhos escondidos
interrompe sem pesar
o fluxo óbvio e natural,
me deixa à mercê das incógnitas
do raciocínio complexo e emocional

e no fim, na linha ténue,
na força frágil que segura
me recompõe, me regenera
num baque único, de força dura,
a excelentíssima megera

sexta-feira, 16 de julho de 2010

lâmpada

click... click.
era pra acender a luz, por que você apagou de novo?
porque eu quis.
e por que você quis?
porque sim...
eu gosto do escuro. enxergo melhor. me enxergo melhor.
como você enxerga se não dá pra ver nada nesse breu, talita?
click.
eu não me referia aos olhos.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

longe

já fazia três meses.
quando decidi, não previ que seria tão difícil assim, sempre é mais fácil no papel. lógico, papel não é de carne, osso e muito menos de coração.
parece ridículo mas confesso que às vezes sinto um pouco de inveja da matéria inerte. só que é um sentimento irracional, da dor que esmaga e dilacera e me faz pensar nas coisas mais insensatas.
mas o tempo caminha, e embora a meu ver com passos trôpegos, são ainda passos que o levam adiante. e de um dia fizeram-se outros noventa e um.