domingo, 13 de fevereiro de 2011

high hopes



nunca postei nenhum vídeo aqui, essa nunca foi a intenção do blog. mas agora a pouco eu tava ouvindo umas coisas do pink floyd que não ouvia fazia muito tempo. tava escutando "learning to fly", e vi nos vídeos relacionados a "high hopes", daí eu pensei "putz, como assim, faz séculos que não ouço essa música, tinha até esquecido", e lá fui eu ouvi-la de novo. foi uma sensação meio familiar, como se a música expressasse como eu me sentia às vezes. não sei explicar, mas parece a trilha sonora simplesmente perfeita para quando eu tenho meus momentos de ficar pensando nas coisas, na vida. queria escrever melhor isso, mas acho que ia ficar muito pessoal, eu não ia saber explicar ou pareceria muito bobo quando eu colocasse em palavras, se eu conseguisse. só deu vontade de escrever alguma coisa, mesmo que de maneira desajeitada.

encumbered forever by desire and ambition
there's a hunger still unsatisfied
our weary eyes still stray to the horizon
though down this road we've been so many times

sábado, 5 de fevereiro de 2011

supernova

silêncios. vários silêncios vindos de fora, misturados com um tique-taque de uma bomba relógio interior. mas um tique-taque também silencioso.
barulho é relativo. às vezes o som da sua consciência pode ser mais ruidoso do que o de uma multidão enfurecida. outras vezes, sua consciência cansada não diz absolutamente nada. nem você diz nada, nem ninguém. e é o silêncio mais barulhento que alguém pode ouvir. é sobre esse último tipo de silêncio que estou falando aqui. o tipo ensurdecedor.
era tanto silêncio que ela não ouvia nenhuma resposta para nenhuma de suas dúvidas, de seus questionamentos. e aquilo foi crescendo dentro dela, um amontoado de não-seis, de serás e de porquês. e tudo se confundia, vários problemas concatenados que no fim se tornavam um outro novo maior e ainda mais insolucionável.
ficou tão, mas tão enorme, que em alguns dias já era gigante. uma pequena gigante. e mesmo desse tamanho, ainda não parava de crescer. e agregava perguntas que nem eram dela de verdade, que surgiam só por surgir, sem razão aparente. no entanto, eram reais e eram fortes.
até que um dia, sem mais nem menos, puf! ela explodiu. explodiu e se partiu. se dividiu em milhares e milhares de pedaços. e, curiosamente, cada um desses pedaços era uma das infinitas respostas que ela sempre procurou. pois é, estavam o tempo todo lá.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

caro caramujo

caro caramujo,
por que você não sai pra passear? faz tanto tempo que você está aí, e eu sei que no fundo você quer, então por que você não vem?
você tem medo? medo das coisas do mundo aqui de fora? medo das pessoas aqui de fora? medo de você mesmo aqui fora? eu poderia te falar "não tenha medo", mas quem não tem medo de nada pode acabar se tornando inconsequente. tenha medo, tenha medo sim, caramujo. um pouco de medo faz bem, e faz melhor ainda quando a gente consegue deixá-los para trás. tenha medo sim. mas só não tenha medo demais.
será que você acha que não vale a pena? e se você acha, como você pode estar tão certo assim? achar não é ter certeza, achismos não valem nada. você só vai saber mesmo se você sair daí, dessa fortaleza ambulante que você criou. do lado de cá existem cores que você nunca imaginou que existissem.
meu caro caramujo, te convido a vê-las todas comigo.
vamos passear amanhã?

noite

não sei por que gosto mais da noite se me sinto melhor de dia.
ao mesmo tempo em que espero sua chegada eu também temo.
o dia suaviza as angústias. a luz deixa tantas coisas tão claramente certas que perdemos de vista o que está no escuro. já a noite, a noite penumbrece, deixa o mistério, a confusão. à meia luz é mais difícil de enxergar. mas ainda é melhor do que enxergar somente o óbvio. será? o meio termo facilita o equívoco. há sombras demais atrapalhando a visão.
a noite é melancólica. a noite é frágil.
a noite dura mais do que ela dura porque ela dói mais. a noite é dura.
a noite é como uma dobradura de papel. aparências, apenas aparências fracas. de dia, as fantasias noturnas clareiam tanto até completamente desaparecerem.
a noite é ilusória.
e às vezes eu não sei se acendo a luz ou se fecho os olhos. talvez seja melhor esperar o sol.

domingo, 30 de janeiro de 2011

o monstrinho solidão

debaixo da minha cama vive um monstrinho chamado solidão. na idade dos monstros ele tem apenas 4 anos, pois cada ano monstrengo equivale a cinco anos terráqueos e, de cama em cama, ele sempre me acompanhou.
se você olhar bem, ele até parece um bichinho simpático. é uma bolinha peludinha com cerca de trinta centímetros, acinzentado como uma manhã chuvosa e com uns olhos grandes, melancólicos e azuis. na verdade, apesar de ser um monstro, não acho que ele seja mau. apenas um pouco triste.
às vezes, quando vou me deitar, eu alimento o solidão. trago alguma bolacha ou um pedaço de pão com geléia (ele adora geléia, principalmente de amora). inclusive, acho que o estou mimando demais, ele está ficando bem gordinho. mas não consigo evitar, só assim consigo vê-lo esboçando um sorriso, por mais tímido que seja.
apesar de não saber ao certo o que ele fala, afinal são apenas resmungos baixinhos, eu entendo o monstrinho. eu converso bastante com o solidão, e ele parece me entender também. enquanto eu conto o que me acontece, ele me conta as histórias mirabolantes que inventou enquanto me esperava. me conta sobre seus amigos imaginários e seu universo paralelo. e eu acho tudo tão delicado e tão singelo que às vezes me escapam algumas lágrimas. tanto que o solidão até já sabe e fica sempre com um lencinho a postos em suas mãos.
ele está crescendo, o monstrinho. há alguns dias, me fez prometer que nunca o abandonaria. eu prometi. pode parecer estranho, mas no solidão eu encontrei um amigo e um conforto que não-monstros nunca conseguiram me dar.

ode à prometazina

de uns tempos para cá, confesso,
tens sido minha melhor amiga.
no escuro o retrocesso:
um mosquito desgraçado
e logo brota uma ferida.
e quem eu chamo no silêncio?
é você, prometazina.
mesmo se eu não tiver a receita
com a letra horrorosa
que não consigo adivinhar;
mesmo se eu não tiver um trocado,
uma única nota para pagar
prometa nunca ir embora
prometa ter disciplina,
pois enquanto estou aqui
à cumprir a minha sina,
ainda tenho você para me livrar da alergia.
seus trinta gramas milagrosos acabam com a coceira,
me deixam mais tranquila para pensar
e escrever baboseira.

(como essa, por exemplo)

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

na gaveta

tenho a mania de não jogar nada fora. chaveiros quebrados, papéis de presentes, caixinhas de chiclete, pedaços de fita, sacolas, caixas de sapato, canetas que não funcionam mais(dezenas), tenho até bexiga murcha na gaveta. papelada então, nem se fala. cartões de garantia, etiquetas de roupa, cola de matemática(ops, nunca fui boa em decorar fórmulas), propagandas, rabiscos, textos velhos e inacabados, sem falar nas cartas e nos ingressos de cinema, é claro. e tudo isso fica junto e bagunçado nas minhas gavetas. de vez em quando eu resolvo abrí-las, mas sempre com um razoável intervalo de tempo. toda vez tenho alguma surpresa.
eu sei que eu deveria jogar tudo isso fora, e parar de ficar juntando esse monte de lixo(que para mim não é lixo, na verdade). mas sei lá, tem coisas que eu quero guardar porque eu penso que um dia vou poder usar de novo de alguma outra forma (caixas de sapato, por exemplo), outras porque são bonitas, outras eu não sei o porquê. no entanto a maioria eu guardo de lembrança. parece que eu me apego às coisas como se elas fossem uma parte da minha memória separada de mim, e assim eu preciso mantê-las ao meu redor para nunca esquecê-las. tenho mania de colocar a data em tudo que escrevo também. preciso saber o momento exato dessas coisas porque senão serão apenas bobagens perdidas no tempo.
e então, quando eu abro as minhas gavetas, mesmo sem estar procurando, eu acabo encontrando um pedaço de mim. seja numa caneta cor-de-rosa sem tinta, no quadrado do cosseno de x, ou numa confissão que fiz algum dia (e eu sei perfeitamente qual dia foi esse).

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

o monstro do ventilador

ventiladores são feios. parecem flores mutantes enjauladas que fazem um barulho chato.
a simples presença de um ventilador já é horrível, pois logo indica que está um calor do cão lá fora. e não importa o quanto você aumente a potência do negócio, você ainda vai continuar morrendo de calor, porque o ar que vem na sua cara, meu amigo, não vem gelado como a brisa pura da manhã. ele vem quente, empoeirado e sufocante.
e por que então todos usam ventiladores? não sei. as flores mutantes devem liberar uma substância alucinógena que faz com que você ache, inconscientemente, que de repente você foi teletransportado para um lugar onde não esteja 45 malditos graus celsius e onde você não esteja suando em bicas.
e agora ainda existem novos modelos que parecem umas torres de controle que giram para lá e para cá. provavelmente eles têm alguma câmera embutida que fica te vigiando 24 horas por dia.
no entanto, o monstro do ventilador é fichinha perto do chefão, o temível ar condicionado. essa sim é a pior invenção da humanidade.
(tá, não é a pior. mas por favor, chegue logo, outono!)

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

chá de sumiço













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terça-feira, 25 de janeiro de 2011

fim de tarde

é tarde. nas ruas não há ninguém. ou talvez estejam todos dobrando as esquinas ou mimetizados na névoa invisível.
é tarde, não há mais sol do meio dia. lua também não há. talvez tenha minguado tanto até desaparecer por completo, sem rastros e sem carta de despedida, na imensidão do céu.
certa vez cheguei a pensar que o céu era como uma tela feita de algum tecido peculiar que só aceitava a cor azul. azul turquesa, azul piscina, azul marinho, azul anil. e logo depois eu me perguntava como uma coisa consegue variar tanto e ainda assim ser ela mesma.
nunca encontrei a resposta, porque acho que nunca me senti eu mesma. eu me sentia várias, mas não conseguia encontrar o meu lugar comum, um elo que unisse todas as minhas matizes. sempre faltou algo, algum ingrediente nessa receita estranha. talvez o segredo que me falta é saber qual é tão almejado produto, pois toda receita sabe o que deve se tornar. eu não sei nem se é agridoce ou amargo. nem imagino como poderia descobrir isso, não sei por onde procurar. até as coisas mais próximas parecem estar a quilômetros de distância de mim. como se eu fosse um deserto à procura do meu oásis particular.
e agora já é muito tarde. não sei pra quê, não sei por quê. só sei que é o fim. e cada vez eu consigo me acabar mais e mais, como a tarde que ainda se finda mesmo já sendo tarde.

domingo, 2 de janeiro de 2011

flor de algodão



nenhuma flor é tão flor como a flor de algodão.
não tem cor. não tem pétalas. não tem perfume.
a flor de algodão não é de algodão. tampouco é flor.
ainda sim, é mais flor do que sua própria flor.