sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

na gaveta

tenho a mania de não jogar nada fora. chaveiros quebrados, papéis de presentes, caixinhas de chiclete, pedaços de fita, sacolas, caixas de sapato, canetas que não funcionam mais(dezenas), tenho até bexiga murcha na gaveta. papelada então, nem se fala. cartões de garantia, etiquetas de roupa, cola de matemática(ops, nunca fui boa em decorar fórmulas), propagandas, rabiscos, textos velhos e inacabados, sem falar nas cartas e nos ingressos de cinema, é claro. e tudo isso fica junto e bagunçado nas minhas gavetas. de vez em quando eu resolvo abrí-las, mas sempre com um razoável intervalo de tempo. toda vez tenho alguma surpresa.
eu sei que eu deveria jogar tudo isso fora, e parar de ficar juntando esse monte de lixo(que para mim não é lixo, na verdade). mas sei lá, tem coisas que eu quero guardar porque eu penso que um dia vou poder usar de novo de alguma outra forma (caixas de sapato, por exemplo), outras porque são bonitas, outras eu não sei o porquê. no entanto a maioria eu guardo de lembrança. parece que eu me apego às coisas como se elas fossem uma parte da minha memória separada de mim, e assim eu preciso mantê-las ao meu redor para nunca esquecê-las. tenho mania de colocar a data em tudo que escrevo também. preciso saber o momento exato dessas coisas porque senão serão apenas bobagens perdidas no tempo.
e então, quando eu abro as minhas gavetas, mesmo sem estar procurando, eu acabo encontrando um pedaço de mim. seja numa caneta cor-de-rosa sem tinta, no quadrado do cosseno de x, ou numa confissão que fiz algum dia (e eu sei perfeitamente qual dia foi esse).