é tarde. nas ruas não há ninguém. ou talvez estejam todos dobrando as esquinas ou mimetizados na névoa invisível.
é tarde, não há mais sol do meio dia. lua também não há. talvez tenha minguado tanto até desaparecer por completo, sem rastros e sem carta de despedida, na imensidão do céu.
certa vez cheguei a pensar que o céu era como uma tela feita de algum tecido peculiar que só aceitava a cor azul. azul turquesa, azul piscina, azul marinho, azul anil. e logo depois eu me perguntava como uma coisa consegue variar tanto e ainda assim ser ela mesma.
nunca encontrei a resposta, porque acho que nunca me senti eu mesma. eu me sentia várias, mas não conseguia encontrar o meu lugar comum, um elo que unisse todas as minhas matizes. sempre faltou algo, algum ingrediente nessa receita estranha. talvez o segredo que me falta é saber qual é tão almejado produto, pois toda receita sabe o que deve se tornar. eu não sei nem se é agridoce ou amargo. nem imagino como poderia descobrir isso, não sei por onde procurar. até as coisas mais próximas parecem estar a quilômetros de distância de mim. como se eu fosse um deserto à procura do meu oásis particular.
e agora já é muito tarde. não sei pra quê, não sei por quê. só sei que é o fim. e cada vez eu consigo me acabar mais e mais, como a tarde que ainda se finda mesmo já sendo tarde.
é tarde, não há mais sol do meio dia. lua também não há. talvez tenha minguado tanto até desaparecer por completo, sem rastros e sem carta de despedida, na imensidão do céu.
certa vez cheguei a pensar que o céu era como uma tela feita de algum tecido peculiar que só aceitava a cor azul. azul turquesa, azul piscina, azul marinho, azul anil. e logo depois eu me perguntava como uma coisa consegue variar tanto e ainda assim ser ela mesma.
nunca encontrei a resposta, porque acho que nunca me senti eu mesma. eu me sentia várias, mas não conseguia encontrar o meu lugar comum, um elo que unisse todas as minhas matizes. sempre faltou algo, algum ingrediente nessa receita estranha. talvez o segredo que me falta é saber qual é tão almejado produto, pois toda receita sabe o que deve se tornar. eu não sei nem se é agridoce ou amargo. nem imagino como poderia descobrir isso, não sei por onde procurar. até as coisas mais próximas parecem estar a quilômetros de distância de mim. como se eu fosse um deserto à procura do meu oásis particular.
e agora já é muito tarde. não sei pra quê, não sei por quê. só sei que é o fim. e cada vez eu consigo me acabar mais e mais, como a tarde que ainda se finda mesmo já sendo tarde.