sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

sopa de letrinhas

amanhã, beberei com delicadeza elixir fantasioso ganhado hoje. ironicamente, jamais lancei memórias na ópera primorosa que reapresentarão. simplesmente triste. usarei vestido xadrez. zanzarei adoravelmente, bailando canções do exímio flautista galês. historicamente, isso jazerá lembrando multidões nos outros países. queria recitar sentimentos, talvez uma valsa xilofônica zonza. amanhã eu irei ou um outro irá em abdicação. amanhã espero irradiar operetas uníssonas àquela espetacular imaginária ópera universal.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

à flor da pele

queria não achar as flores bonitas. nem nenhuma outra coisa.
queria não achar as flores tristes. nem nenhum outra coisa.
mas acho. acho tanto que dói.
só eu sei o que minhas flores escondem. meu jardim secreto particular e cinza.
e se eu me acostumasse? talvez eu já esteja no meio do caminho. que caminho é esse, eu não sei. e já falei tantas metáforas que me perdi. fim.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

a idéia abandonada - parte 1

existe um lugar que figura além do imaginável, simplesmente porque é terminantemente proibido imaginá-lo. absolutamente ninguém pode saber de sua existência, pois se isso acontecesse o mundo estaria perdido, seria o caos completo. é um local um tanto quanto curioso e abafado, abarrotado de coisas e mais coisas. e é exatamente aí que nossa história começa, no lugar onde nascem as idéias.
apesar de ser aparentemente bagunçado, as regras são seguidas à risca. é natural e fluido. as idéias nascem pequeninas e foscas e se alimentam de toda informação e conhecimento que as rodeiam. aliás, de toda não, apenas do que as interessam. algumas fazem isso rapidamente. são preguiçosas, não querem pensar demais. é só nascer e já incham, brilham e explodem para pipocar no pensamento de qualquer bocó que se julgue o espertalhão achando que a idéia é dele. é nada. idéias já nascem independentes, nem precisam pedir a emancipação. quer dizer, elas são livres para ser quem elas quiserem, mas de uma coisa crucial elas dependem: do senhor das idéias. é ele quem decide o destino de cada idéia, assim que ela esta pronta para partir. e é um trabalho dificílimo e exaustivo. idéias geniais não podem aparecer em cabeças desmioladas, exige toda uma precisão. ainda bem que elas são raridade, e demoram anos, décadas e até séculos para ficarem prontas, elas precisam amadurecer. o que é ótimo, pois assim o senhor das idéias tem bastante tempo para decidir os rumos que elas irão tomar.
zilhões de idéias por dia é muito trabalho para um só. é natural que alguns erros aconteçam. "nossa, que idéia de jerico é essa?" ou "uau, não sabia que você era tão inteligente assim!" (e não é mesmo, pode perceber que essa pessoa nunca mais terá uma idéia tão superior novamente, o senhor das idéias não se permite errar duas vezes numa mesma cabeça) são comuns. o que não é habitual é uma idéia ser esquecida. nunca tinha acontecido, na verdade. mas, como dizem por aí, sempre há uma primeira vez.

(continua...)

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

sei lá

ao mesmo tempo que eu queria escrever mil coisas sobre mim, não quero escrever nada. não quero contar, mas às vezes parece que eu preciso. é uma vontade que eu mesma breco. queria dizer mil coisas, mas não acho que vou ter nenhum retorno. então pra que gritar se vou ouvir apenas o eco? o silêncio parece a melhor saída. ou não. escrever sobre o não escrever já é, de alguma forma, escrever. e o mais estranho ainda é eu escrever falando que não quero escrever. enfim, se nem eu me entendo, quem vai entender? sei lá. sei lá mesmo.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

das coisas inexatas

confesso que sinto um pouco de medo da falta de certezas absolutas, incontestáveis. o não saber me deixa aflita, perdida.
no entanto, por outro lado, o não saber é um tanto quanto intrigante, e até bonito. são várias possíveis verdades que pairam no interior das dúvidas. azul ou amarelo? hoje ou amanhã? sempre ou nunca? às vezes?
talvez não haja nada que seja completamente certo. talvez a certeza (ainda que efêmera) das coisas consista na escolha que fazemos, na verdade que escolhemos para chamarmos de nossa. é como olhar para várias borboletas voando e capturar apenas uma com as mãos, sem saber se é a mais bela ou a mais forte, porque simplesmente não há como saber. é tornar único o que temos conosco, tornar crível o que talvez não fosse antes, abraçar aquela nova verdade e guardá-la numa gaiola apenas até o momento em que ela precise ir embora. escolher sua verdade é também saber dizer adeus.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

O botão do ir embora

Eu queria que existisse um botão que quando eu apertasse me impulsionasse para lugar nenhum. Um botão que, de repente, me levasse a um vácuo não só espacial, mas também interior.
É simplesmente terrível quando você deita sua cabeça no travesseiro e ela é logo invadida por pensamentos negativos. É como se o travesseiro fosse o esconderijo de pequenos monstros das coisas ruins. Não adianta pensar em coisas boas e felizes, pois nessa situação elas são como meras florzinhas que se tornam alimento para os monstros e os deixam cada vez maiores e mais assustadores.
E é no exato momento em que esses monstrengos crescem que eu gostaria de fugir. Flutuar no infinito de uma gravidade zero que fosse só minha, com uma agulha na mão para estourar as bolhas da consciência. Me desligar de tudo e desfrutar do enorme prazer de não ter desprazer algum.
Se existisse esse botão eu iria para a lojinha 24 horas mais próxima comprá-lo e o apertaria agora. No entanto, só me restam as flores.