quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

O botão do ir embora

Eu queria que existisse um botão que quando eu apertasse me impulsionasse para lugar nenhum. Um botão que, de repente, me levasse a um vácuo não só espacial, mas também interior.
É simplesmente terrível quando você deita sua cabeça no travesseiro e ela é logo invadida por pensamentos negativos. É como se o travesseiro fosse o esconderijo de pequenos monstros das coisas ruins. Não adianta pensar em coisas boas e felizes, pois nessa situação elas são como meras florzinhas que se tornam alimento para os monstros e os deixam cada vez maiores e mais assustadores.
E é no exato momento em que esses monstrengos crescem que eu gostaria de fugir. Flutuar no infinito de uma gravidade zero que fosse só minha, com uma agulha na mão para estourar as bolhas da consciência. Me desligar de tudo e desfrutar do enorme prazer de não ter desprazer algum.
Se existisse esse botão eu iria para a lojinha 24 horas mais próxima comprá-lo e o apertaria agora. No entanto, só me restam as flores.