quarta-feira, 25 de agosto de 2010

não, eu não trabalho aqui.

oi. meu nome é nathália, eu tenho 20 anos e eu NÃO TRABALHO no bar da esquina, na banca de jornal da sua tia e muito menos na loja de roupas para senhoras. ah, e nem no carrinho de hot dog da avenida brasil.
não sei como é uma cara idealizada de uma vendedora, mas deve ser alguma coisa bem próxima da minha. pela milésima octigentésima quadragésima quinta vez, hoje eu tive que responder que eu não trabalhava naquele recinto pra uma velha que me perguntou onde ficavam as embalagens de papel. EU NÃO SEI ONDE FICAM AS EMBALAGENS DE PAPEL!
o mais intrigante é que geralmente me perguntam onde ficam as coisas, ou se tem alguma numeração, ou se eu trabalho no lugar, em locais onde os funcionários usam uniforme. e eu, obviamente, NUNCA estou usando o maldito uniforme. porque EU NÃO TRABALHO LÁ! será que é tão difícil assim olhar para os lados numa loja e procurar por alguém que tem o nome da empresa escrito em comic sans 48 na camiseta?
sem falar no dia em que eu estava comendo um pretzel (é uma massinha gostosa) e veio uma velha falando pra filha dela experimentar um pedaço do MEU pretzel! MEU! ela quase colocou o dedo sujo na minha comida! mas eu NÃO distribuo amostras grátis pelo shopping! nem no supermercado, nem na feira do seu bairro, nem em lugar nenhum!
enfim, se você me encontrar num pet shop e quiser saber se tem petiscos para cães sabor churrasco, não me pergunte. sabe por que? PORQUE EU NÃO TRABALHO LÁ!

terça-feira, 24 de agosto de 2010

eu, os famosos e o REM

estava eu, subindo uma montanha em espiral, gigante, até que cheguei no pico. lá em cima tinha uma espécie de uma casinha. entrei. a decoração do interior me é vaga, mas eu lembro que tinha um cara sentado no chão jogando videogame. eu fui chegando cada vez mais perto, até que eu consigo reconhecer o tal homem. puta que pariu, era o john lennon!
óbvio que era um sonho. primeiro porque eu nasci depois de 1980. segundo porque se fosse mesmo verdade, a chatíssima da yoko ono estaria bem do lado dele. de qualquer jeito, foi surreal. pena que não lembro o resto do sonho. já pensou que demais se eu tivesse jogado mortal combat com um beatle? mesmo em sonho, seria incrível.
aliás, esse não foi o único beatle com o qual eu sonhei. o primeiro sonho beatlemaníaco que tive, que inclusive me motivou a fazer um diário de sonhos(que não durou nem uma semana, diga-se de passagem), foi com ringo. tenho que reler o que eu escrevi, porque agora só lembro que estava numa sala e dei um abraço nele. (tá, acho que lembrei da melhor parte.)
uma das situações mais malucas foi numa outra vez, quando eu estava no meio de uma multidão cantante no meio de um parque e resolvo ir até um quiosque de sorvete me refrescar. o pequenino detalhe era que o sorveteiro era ninguém menos do que mick jagger. isso mesmo, mick jagger me vendeu um picolé!
todas essas loucuras vieram à tona agora porque tive outra dessas experiências recentemente. estava numa sala cheia de pianos, cada um com um aluno, e um professor passando por eles e ensinando. eu estava em um deles e havia um outro instrumento de frente para o meu. quando olho, no piano à minha frente está o suposto professor em um canto e um tom jobim a tocar e cantar a música "eu te amo" no outro. fiquei ouvindo encantada quando percebo que ele não lembrava mais a letra e começo a cantar e tocar com ele, num dueto impossível que só o meu inconsciente poderia me proporcionar. não foi de verdade, mas enfim, acordei feliz.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

insônia

toc toc... tá aí?
sônia... você de novo, poxa, é a terceira vez que você me visita essa sema...
ahh, tá aí sim! tô entrando!

click

já entrou né, intrometida pacas...
nossa, que olheira enorme menina! peraí que trouxe um creminho aqui na minha bolsa que vai te ajudar horrores... aqui, oh!
não quero essa joça, o que me ajudaria horrores agora seria se você estivesse do outro lado dessa porta. que tal? boa idéia não é?
ih... tá estressadinha hoje... tudo bem, sou paciente né querida, você sabe...
sei mesmo, ô se sei... sei até demais se você quer saber!
olha, vou direto ao assunto então, prometo.
promete mesmo?
prometo, meu bem! não sou tão má assim, vai! aquele seu livro que você acabou de lançar, que tá estourando, quem ajudou, quem? euzinha!
tá... diz logo, vai!
não quer um cafézinho antes?
NÃO!
tá bom, tá bom, desculpe. toma, te trouxe esse rascunho. tem algumas idéias soltas, uns personagens criados, linhas de pensamento e até algumas frases prontinhas!
hm... é... interessante até... valeu aí...
não há de que! bom, mas promessa é dívida, e acho que já chegou a minha hora, até eu estou cansada hoje, eu já vou indo. durma bem meu anjo! e pode deixar que eu apago a luz.

click

sábado, 24 de julho de 2010

e era uma vez...

tolos são aqueles que não acreditam em contos de fada. se acreditam no monstro da inflação, no super vilão americano, e se dizem que, de modo incrível, engolem sapos diariamente, por que não acreditar, em contraponto, em príncipes encantados e varinhas de condão?
assim como monstros não são necessariamente verdes e gosmentos, nem todo príncipe vem montado em seu cavalo branco. sapos não moram exclusivamente na lagoa. mágica não é apenas a transformação de uma abóbora em uma carruagem.
acreditar no que à primeira vista parece impossível não é negar a realidade, é olhar e ver o que existe além do que aparentemente está ali para ser visto. é ultrapassar sutilmente as fronteiras da razão, onde há apenas uma linha tênue nos separando de nossas fadas madrinhas. momentos podem ser mágicos. moças podem conhecer caras cheios de encantos. a história de nossas vidas somos nós mesmos que escrevemos, figuras de linguagem não são somente permitidas: são necessárias.
só aconselho não terminar sua história antes do final com um "felizes para sempre", pois convenhamos: ele é deveras chato. toda história que se preze precisa de uma bruxa má de vez em quando.


texto antigo, acho que é de 2008, só porque não estou muito inspirada hoje (entenda por preguiça). e acho que eu gosto da palavra tênue haha, usei no texto anterior também, que esqueci de mencionar mas também escrevi faz tempo.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

rainha de copas

coroei a incerteza aflita
como rainha da minha dor,
que reina acelerada e ambígua
preparando o ataque
no território inimigo que eu mesma sou

corre e corrói a resposta dos sentidos,
pulsa e destrói os atalhos escondidos
interrompe sem pesar
o fluxo óbvio e natural,
me deixa à mercê das incógnitas
do raciocínio complexo e emocional

e no fim, na linha ténue,
na força frágil que segura
me recompõe, me regenera
num baque único, de força dura,
a excelentíssima megera

sexta-feira, 16 de julho de 2010

lâmpada

click... click.
era pra acender a luz, por que você apagou de novo?
porque eu quis.
e por que você quis?
porque sim...
eu gosto do escuro. enxergo melhor. me enxergo melhor.
como você enxerga se não dá pra ver nada nesse breu, talita?
click.
eu não me referia aos olhos.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

longe

já fazia três meses.
quando decidi, não previ que seria tão difícil assim, sempre é mais fácil no papel. lógico, papel não é de carne, osso e muito menos de coração.
parece ridículo mas confesso que às vezes sinto um pouco de inveja da matéria inerte. só que é um sentimento irracional, da dor que esmaga e dilacera e me faz pensar nas coisas mais insensatas.
mas o tempo caminha, e embora a meu ver com passos trôpegos, são ainda passos que o levam adiante. e de um dia fizeram-se outros noventa e um.